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Atriz

Amanda começou sua jornada no teatro como compositora de trilha sonora a partir de uma entrevista de emprego na Editora Giostri, onde também era o Espaço Cultural Giostri, com um teatro (na época, na Rua Rui Barbosa, São Paulo). Na sala da entrevista, havia um piano acústico de parede. Ao ler seu currículo, o editor Alex Giostri viu que Amanda havia incluído o piano entre suas habilidades e pediu que ela tocasse algo.

Amanda aproveitou a oportunidade e perguntou se poderia tocar uma peça de repertório e uma composição própria. Tocou Comptine d’un autre été e, em seguida, uma música autoral. Nesse gesto, revelou sua visão de oportunidade ao se apresentar como pianista e, ao mesmo tempo, como compositora.

Alex, que além de editor-chefe era também produtor executivo da peça A Noite do Choro Pequeno, reconheceu ali seu potencial. Como havia um ensaio da peça acontecendo no teatro, no andar inferior, ele desceu as escadas com Amanda e a apresentou à equipe já dizendo que ela faria a trilha sonora. Alex sempre foi uma pessoa audaciosa e, por conta dessa audácia, nasceu ali a carreira teatral de Amanda.

E já iniciou em boa companhia: ao lado da direção artística de Ciro Barcelos (Dzi Croquettes), com direção de Ricardo Brighi e elenco formado por Sharon Barros e Dalileia Ayala. A trilha, gravada em 2021 e remasterizada em 2025, tornou-se um álbum atualmente reservado para possível lançamento futuro, já que, no momento, predomina sua identidade musical associada aos lançamentos como cantautora.

Após este primeiro contato, trabalhou em outras peças como compositora, sonoplasta e operadora de som, como em Transtornada (de Alex Giostri), em que teve o desafio de fazer a trilha para um monólogo em que a personagem, interpretada por Paula Zanetti, tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo. Surgiram então outras oportunidades com o diretor Rogério Fabiano, que havia dirigido esta última, como na montagem de Nunca Desista dos Seus Sonhos, em que teve contato com atores como Myrian Rios, Paulo Goulart Filho, Luiza Tomé e Nizo Neto.

Além disso, durante seu tempo na Giostri, Amanda também participou da produção audiovisual de um filme com o grupo Parlapatões, dirigido por Hugo Possolo, que contou com a participação de atores incríveis do cenário paulistano. Essa experiência ampliou seu contato com diferentes linguagens da cena e do audiovisual, aprofundando seu interesse pelo trabalho de atuação.

Motivada por essa rede de experiências e influências significativas, Amanda decidiu iniciar formalmente seus estudos de teatro no SENAC-Campinas em novembro de 2022, período em que estava próxima de concluir sua pós-graduação em Escrita Criativa na PUC-Campinas. Na época, morava em São Paulo, deslocava-se para a pós presencialmente aos sábados e chegou a se inscrever no curso do SENAC antes mesmo de definir o endereço em que moraria em Campinas. Optou, então, por retornar à sua cidade natal para se dedicar integralmente à formação e aproveitar o rico polo teatral local. Concluiu o curso em abril de 2024, obtendo seu registro profissional (DRT) ainda no mesmo ano.

Durante sua formação no SENAC-Campinas, sob orientação de Marana Delboni, Rodrigo Ximarelli e Fernanda Donabella, passou por diversas experimentações de corpo e voz, tanto para palco quanto para audiovisual. Trabalhou a complexidade de personagens como Medeia e Joana, além de mergulhar nos dilemas de Lavínia, em Rasto Atrás, de Jorge Andrade. No final de seu processo formativo, o texto de Sérgio de Carvalho, da Cia do Latão, foi determinante em sua interpretação de Miranda, na peça Ópera dos Vivos. Ao interpretar uma cantora, Amanda fez sua voz ressoar na estreia no Teatro SESI. A personagem, situada entre a era das Ligas Camponesas e a ditadura militar, atravessa um colapso histórico ao despertar em um país transformado pela lógica das empreiteiras e pela presença dominante do capital financeiro. O papel ressoou profundamente com suas convicções sociopolíticas, além de articular suas trajetórias no teatro e na música.

Em seu projeto final, Amanda integrou práticas teatrais com não atores do curso Técnico em Segurança do Trabalho do SENAC-Campinas, demonstrando sua versatilidade e seu compromisso com o teatro como ferramenta de expressão e transformação coletiva.

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